sexta-feira, 8 de abril de 2016

Os cavalos dormem




Os cavalos dormem
à sombra rarefeita dos invernos,
quando o frio se instala
no vazio infinito dos confins de tudo.

Os cavalos dormem,
enquanto os rios secam
e as folhagens sucumbem ao rigor do tempo.

Os cavalos dormem…
Como os invejo! Alheios que estão
às convulsões do universo desmedido,
ao restolho da história depois dos vendavais,
aos abalos nas pregas da alma.

Silêncio, pois, que os cavalos dormem!

[publicado em Antologia de poesia contemporânea – entre o sono e o sonho, vol. V, tomo II, Chiado Editora, 2014, p. 18.]