quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O absurdo da vida



Será a vida humana um tombo absurdo no mundo sem nenhuma vontade que a tivesse querido, nem nenhuma intenção que lhe estivesse na base? Por que razão teimamos em pôr ordem no mundo, ainda que à nossa volta gravite o caos metafísico e moral? Por que razão insistimos em revoltar-nos face ao sofrimento do inocente, à injustiça que tomba inexplicavelmente sobre bons e maus, numa proporção que dificilmente somos capazes de equacionar à luz de uma razão radiosa? Quase todo o comportamento humano, por mais alheio a qualquer ideia religiosa, tem a sua explicação adequada na existência de um horizonte que se não coaduna com a desordem e o mal. Vivemos como se a morte não existisse. Indignamo-nos com o mal que transparece despudoradamente, como se não fosse inerente à condição da vida, como se fosse um discurso errático, sem sentido, no plano magistralmente racional com que o universo está escrito. E apesar de tudo isso, nem pestanejamos quando nos declaramos ateus. Comportamo-nos como crentes quando bradamos pela bondade e pela ordem de um universo inexplicavelmente contraditório, que contém em si as inequívocas sementes do mal e da desordem, sem nos apercebermos que ao fazê-lo pressupomos um fundamento absolutamente luminoso pelo qual ansiamos.
Somos indagadores da verdade absoluta, apesar de apenas lhe desocultarmos a face temporal e finita. E não haverá tempo, nos poucos anos que por aqui vivemos, para dela extrairmos a esquiva seiva. E mesmo que estendêssemos até ao infinito o tempo natural da vida, recolheríamos apenas as migalhas do mistério espalhadas pelo solo do mundo.
Cada vez estou mais convencido de que não haverá salvação para o ser humano se Deus for apenas um sonho na mente alucinada da humanidade. É por isso que, mesmo que Deus não exista, me não cansarei de acreditar que existe.

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