domingo, 8 de setembro de 2013

Deus



Deus para mim é uma evidência. Não uma evidência racional, pois provavelmente escapa a todas as incursões da razão. Nenhuma prova o há de confirmar. Nenhuma demonstração lhe será adequada. Mas apesar disso, Deus é para mim uma evidência. Uma evidência do coração. A ideia que faço dele é tão bela, tão elevada, tão luminosa que tem de existir realmente um tal ser. Dir-me-ão que nada disto prova a sua existência. E assim será. Mas a beleza infinita torna os dias menos tenebrosos e tinge o tempo do sentido de que carece.
Muitos brandem as categorias racionais para nos assegurarem da impossibilidade da sua existência. Outros, recorrendo às mesmas categorias, creem poder deduzir Deus da contingência do mundo. Uma e outra atitude são pomposas pretensões humanas que excluem Deus do âmbito que lhe é próprio. Deus é o mistério absoluto. Só é possível nomeá-lo por meio de metáforas que se aproximam apenas levemente da sua natureza incomensurável. Estaremos tanto mais perto de Deus, quanto mais nos despojarmos da pretensão de o enclausurarmos nos nossos conceitos acanhados. O afastamento de Deus é paradoxalmente a sua maior aproximação.
Pelo contrário, o caminho do coração é o que nos introduz no seu mistério maior. Porém, dirão os mais céticos, o facto de eu amar a Deus e desejar que exista não implica que exista realmente. E eu dou-lhes razão. Mas o facto de eu o desejar não é razão suficiente para excluir perentoriamente que exista.
Deus é a única possibilidade humana de salvação perante a miséria da morte a que estamos votados, perante a miséria do pecado que experimentamos como atores (in)competentes ou alvos passivos da maldade alheia. E o coração diz-me que não tenha medo de aceitar a dúvida que a razão teimosa nos serve todos os dias, de aceitar que tudo quanto acontece no universo só terá sentido à luz da eternidade. O coração diz-me.

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