segunda-feira, 25 de março de 2013

Quem és tu, ser humano?



Que seremos nós realmente? A ciência insiste na ideia de que somos fruto do mero acaso. Somos decerto algo extremamente improvável. O acaso tende a gerar desarmonia e não estruturas altamente complexas e organizadas como somos. Mas o fator tempo torna possível o improvável. No decurso de uma longa extensão temporal, estruturas organizadas puderam aflorar no reino das coisas existentes. E é assim que o improvável assoma algures num planeta dos subúrbios do universo que reuniu as condições necessárias para o aparecimento do ser humano.
Numa tal conceção, podemos prescindir de Deus. Fruto de uma cega evolução, aqui estamos nós prestes a tomar conta do planeta que nos viu nascer e, possivelmente, a criar todas as condições para a própria autodestruição. Talvez num lapso de tempo igualmente longo, possamos de novo aflorar num qualquer outro ponto do universo, onde o acaso gerou novamente condições propícias à nossa floração.
Será tudo como a ciência proclama. Mas o ceticismo que a ciência exige não deve deter-se às portas das explicações científicas. Talvez tenhamos de ir mais fundo e proclamar que só a racionalidade absoluta de um deus nos pode subtrair à cegueira de um acaso sem fins para onde toda a ação possa tender. É possível que, sem negar o valor da explicação científica, possamos também equacionar as coisas sob a perspetiva da eternidade. Seriam assim possíveis as duas explicações. Uma observa o mundo a partir da relação temporal e transitória que os objetos instauram entre si; a outra observa-o a partir de uma racionalidade intemporal e definitiva que organiza o mundo em direção a fins inefáveis que nunca ouvido humano jamais ouviu nem olho humano jamais viu. Duas explicações em paralelo, porque assumidas a partir de perspetivas diferentes e igualmente válidas.
E apesar da verdade que a ciência forja, preciso de uma outra explicação que equacione o mundo sob a luz de uma paixão eterna que o pensou, que o fez ser e o há de acolher, quando a negrura do tempo esfumar o impulso vital que o anima ainda.
E assim o ser humano, este resumo do universo, poderá pensar-se como segredo que um deus revelou ao coração do mundo ao qual pertence e com o qual será definitivamente assumido no amor infinito que um dia lhe proferiu o nome.

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