terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Os velhos



No contexto da questão das contas públicas, é lancinante a frieza com que se fala da urgência em deixar morrer os velhos ou ajudá-los mesmo a morrer mais cedo quando se encontram num beco sem saída. Estaremos ainda num mundo plenamente humano? Serão as pessoas ainda aquele quid de valor incalculável que se não atira para a sarjeta mesmo que esteja no fim do prazo? Primeiro foi a Comissão de Ética para as Ciências da Vida, ou o seu presidente, já me não lembro exatamente, agora foi a vez do ministro das finanças japonês. É certo que quem governa um país tem problemas para resolver e procura, em princípio, fazê-lo com rigor. Não duvido disso. Mas será possível que valha tudo para se ser eficaz? Não há critérios éticos para lá de toda a eficácia governativa e orçamental? Perdeu-se a noção da hierarquia dos valores. Em vez do orçamento estar ao serviço do ser humano concreto e definido, é o ser humano que terá de ser descartado caso não caiba no restrito espaço do orçamento global. Acho repugnante que se pense e que se aja desta maneira. Os velhos e os doentes terminais não são objetos de que se disponha como quem rejeita um copo partido ou um prato velho. Caramba, somos mais do que meras peças produtivas que servem apenas enquanto são economicamente úteis! Um pouco de vergonha na cara e alguma contenção no uso da palavra não faria mal a estes políticos tecnocratas desbragados.

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