segunda-feira, 17 de setembro de 2012

É urgente uma nova política



Que mais quererá o Governo para rever a sua política? Sábado passado o povo saiu à rua, insatisfeito com o tratamento a que a gestão ruinosa do país o submeteu, sem apelo nem agravo. Tenho para mim que estas políticas de austeridade sem matização de espécie alguma são o princípio do fim. Não que tenhamos de continuar a gastar o que temos e o que não temos. Não é isso que defendo. Se se tem de poupar, que se poupe! No entanto, o que é revoltante é que sejam sempre os mesmos a pagar a totalidade das despesas decorrentes dos banquetes em que outros se empanzinaram. Sobretudo, o mesmo chico-espertismo português que foge aos impostos e vive de expedientes, reinterpreta a letra do acórdão do Tribunal Constitucional no sentido de o moldar a novas e impensadas crueldades que hão de cavar, se forem por diante, um fosso cada vez maior entre assalariados e capital, entre pobre e ricos. A ineficácia organizativa do Estado leva o Governo a arrancar despudoradamente somas brutais dos bolsos dos mais frágeis, sejam eles reformados ou assalariados.
Uma nova crise política vem ensombrar o futuro do país. E enquanto os nossos políticos se digladiam no palco em chamas em que se pavoneiam, os corpos vão-se amontoando no lusco-fusco da nossa tristeza.
Uma nova política precisa-se. Não uma que nos empurre definitivamente, num despesismo eleitoralista, para o penhasco de onde espreitamos. Não uma que nos degole na guilhotina do empobrecimento sem horizonte. Não uma que nos afaste da Europa a que pertencemos, que acrescente à nossa situação periférica novos motivos de exclusão. Mas uma que seja autenticamente solidária, onde todos tenham direito de cidadania e ninguém seja banido pela simples razão de haver nascido no local e na circunstância em que nasceu. E tal política tem de existir. Não podemos aceitar resignadamente a perda de tudo o que outrora os nossos antepassados penosamente conquistaram. Pelo menos, para honrar a memória deles, para deixarmos aos nossos filhos aquilo a que têm direito, sejamos firmes na exigência da justiça.

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