sábado, 12 de maio de 2012

Quando as palavras não bastam



O silêncio

A Bernardo Sassetti

Sobre a ravina, é o perigo
que espreita, intrépido, através das rochas que o mar fustiga.
Ou talvez não,
apenas o desabrigo nos abismos inconscientes,
junto aos escolhos do cansaço.
Um pé sobre o tempo movediço,
o outro sobre o chão desamparado,
derrocando o impossível sonho.
E o mar condescendente que atravessa os íntimos penhascos
e as vagas como um berço de sossego,
reclamando o regresso inexplicável
à secreta origem.

Escuta o silêncio, sugerias,
e eu escuto, sobre as pautas da vida,
a respiração do mundo;
no ventre do piano,
as vigorosas ressonâncias.

Que mais farei, quando tudo foi feito?
inquirias no receio triste,
logo que a penumbra invadia a aridez das folhas.
Que mais direi de inaugural,
depois do canto dos pássaros, do marulho dos ventos,
do silêncio do mar entre onda e onda?

Tudo quiseste…
…e foi de mais.

1 comentário:

  1. Poema absolutamente deslumbrante.
    À altura da merecidíssima homenagem a Bernardo Sassetti cuja música e interpretação são eternas.
    CC

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