terça-feira, 27 de dezembro de 2011

«Os portugueses»



Barry Hatton integra um já longo elenco de estrangeiros que escreveram sobre Portugal. E aprendemos sempre muito com esse distanciamento crítico que escancara diante de nós as nossas vulnerabilidades. De uma forma geral, trata-se de uma visão mais objetiva, apesar da conexão que eles possam ter com Portugal e os portugueses, do que a que nós próprios temos sobre o conjunto de virtudes e defeitos que nos configuram a vida. O seu excelente livro «Os portugueses» põe a nu as contradições da nossa personalidade coletiva, com rigor e imparcialidade, o que não significa que tenhamos de estar de acordo com todas as afirmações que faz a nosso respeito.
Sobressaem as virtudes da adaptabilidade a novas situações, da hospitalidade e da amabilidade, envoltas numa aura pacífica e romanticamente sentimental. No lado mais obscuro do carácter nacional, é de salientar um certo anarquismo pacato que se manifesta na aversão à lei e na maneira informal (e até ilegal) de se orientar na vida e nos expedientes utilizados para ultrapassar a ordem legal e burocraticamente estabelecida — muitas vezes insuportável —, a desorganização individual e coletiva, a indiferença em relação à ação política e à intervenção cívica, a ausência de empreendedorismo corroborada pela forma profundamente conservadora de encarar a vida, que provoca imobilismo e atraso endémico.
É hoje urgente, no centro de uma crise estrutural, que as virtudes sejam acarinhadas e os defeitos seriamente ultrapassados para que o presente se transforme em esperança ativa e o futuro seja planeado sem deixar ao acaso as múltiplas possibilidades que a vida contém. Abandonar aquele fatalismo estático que constitui pano de fundo das nossas crenças coletivas é condição de possibilidade do triunfo num mundo globalizado e competitivo. Oxalá queiramos sair deste marasmo obstrutivo onde nos afundámos há alguns séculos!


Este texto foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

1 comentário:

  1. Subscrevo na íntegra este post pelo qual dou os parabéns ao autor.
    Somos Portugueses e nenhum Governo tem o direito de pretender resolver os seus problemas empurrando-nos para fora de uma Pátria que é nossa, de um país para o qual contribuimos com o nosso empenho diária e com impostos.
    Utilizem-nos devidamente.
    Ponham a pagar impostos todos os que o devem fazer.
    Cortem nos elevados vencimentos e privilégios das classes especiais.
    Estimulem o empreendedorismo e a inovaçãm.
    Premeiem o mérito e a excelência e não a subserviência e o nepotismo.
    Assim já não precisam de ser agência de exportação dos Portugueses para o exterior.

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