sábado, 1 de janeiro de 2011

Um novo ano: uma vasta gama de oportunidades

Um novo ano não é nunca uma mera repetição do antigo. O mito do eterno retorno pode ser uma atrativa visão do mundo, mas não corresponde à verdade dos factos. Há, com certeza, muita semelhança entre os nossos antepassados e o que somos e fazemos hoje. Afinal, partilhamos a mesma condição e a evolução é um longo, lento e paciente processo cujos resultados não são visíveis, num pequeno intervalo de tempo (alguns milhares de anos). Mas a mente humana tem potencialidades que tornam o mundo palco de novos ensaios. É por isso que podemos observar as mudanças vertiginosas que se têm sucedido nos últimos dois séculos.
Será mau, este movimento sem freio que nos deixa aturdidos face a novas descobertas científicas, produções culturais, visões do mundo e renovadas constelações de valores? Não necessariamente. Exige, isso sim, uma enorme adaptação humana a contextos diferentes. Porém, a aquisição destes novos instrumentos mentais depende em larga medida da educação. Infelizmente, Portugal leva um atraso de várias décadas na educação académica da sua população, se o compararmos com os mais avançados países do mundo. E é essa a grande pecha deste país, ainda embrutecido pela profunda desconsideração em relação ao sistema escolar. Sem famílias que apostem na educação dos seus filhos como plataforma de mobilidade social, o percurso, muitas vezes fracassado, dos pais, repete-se à saciedade nos filhos e nos netos.
De qualquer forma, o futuro será sempre uma caixa de Pandora: nunca sabemos exatamente o que tem lá dentro. É certo que em grande medida será o que nós quisermos que seja. E é com essa convicção que havemos de transformar o quotidiano numa vasta gama de oportunidades ainda não exploradas, à espera da nossa iniciativa.

Este texto foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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