segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Se não existes, quem somos nós?


Ontem fomos ver «Um violino no telhado», na versão do La Féria. Quando vi o filme, não me apercebi de uma espantosa observação do protagonista, quase no final. Aquando da fuga à expulsão decretada pelo império russo — mais uma entre tantas humilhações, tantas mortes e torturas que os Judeus tiveram de sofrer ao longo da sua penosa história —, Tevye, o leiteiro pobre, dirige-se a Deus numa oração que levanta a questão central sobre o mistério divino: «Meu Deus, se existes, quem és tu? Mas se não existes, quem somos nós?»
Ou seja, se existes, como podes conviver com a desolação, a exploração, a prepotência, a discriminação, a xenofobia, o sofrimento ou a morte? Mas se não existes, como poderemos nós reconhecer o sentido da nossa existência sem o ponto de referência absoluto que tu és?
É este o grande dilema do ser humano na sua procura de sentido, na sua procura de Deus. E eu, sem explicação para a absurda coexistência de Deus e do mal, entrego-me confiadamente àquele na presença de quem é possível reencontrar a esperança, apesar da efemeridade da vida e de tudo quanto existe.

Este texto foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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