sábado, 20 de novembro de 2010

Livro

Livro. Esse monumento literário que devorei da primeira à última palavra quase sem respirar. É exatamente esta a escrita que me seduz. Veloz, profunda, esteticamente relevante e cheia de novidade. Não é tanto a história, já de si interessante, da emigração portuguesa e do Portugal miserável que ela representa. Não é tanto a narrativa concreta dos amores e desamores, das amizades, das casualidades, da pequena burguesia citadina neorrevolucionária, da ignorância, da demência, das ausências, das mortes, e de tudo o mais que enxameia a história, ou o cruzamento de histórias. Não é tanto a rutura nas convenções literárias. É muito mais do que tudo isto, já de si suficiente para tornar interessante a obra. É a transfiguração do real através de uma escrita estética que despertou em mim o maior interesse e me faz acreditar que o José Luís Peixoto terá muito a dizer ao panorama literário português contemporâneo.

Este texto foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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