quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Boa-fé

 Karl Barth

Hans Küng, no primeiro volume da sua autobiografia, narra a sua relação com um dos maiores teólogos do século XX, o suíço protestante Karl Barth (1886-1968). E é comovedor verificar como um homem com a estatura intelectual de Barth considera a sua poderosa obra teológica à luz do encontro definitivo com Deus.
«É no escritório de [Karl] Barth em Basileia, no alto, no bairro Bruderholz, que, no decurso de uma viva disputa sobre o papado, lhe digo por fim, sorrindo com indulgência: “A boa-fé deixo-a, porém, a si!”. Ao que ele, repentinamente sério: “A boa-fé? Jamais me a atribuiria. E quando um dia for chamado pelo meu Senhor e meu Deus, não irei à sua presença com a mochila às costas contendo as minhas obras teológicas; todos os anjos, de facto, se ririam disso. E nem sequer acrescentarei, para minha justificação, que a minha intenção sempre fora boa, que estou de ‘boa-fé’. Não, estarei perante ele de mãos vazias e a única palavra que me parecerá adequada será: Ó Deus, tem piedade de mim, pobre pecador!”» (Küng, La mia battaglia per la libertà, p. 177).

Este texto foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

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